Schnauzer miniatura, assim como outras raças possui metade dos seus cromossomos herdados do padreador e a outra metade da matriz, formando pares. Cada cromossomo é formado por uma molécula de DNA que pode possuir informações genéticas (genes) para diferentes fenótipos (características). Nos últimos anos, diferentes genes foram detectados graças aos estudos de Genética Molecular, apesar dos conceitos básicos de herança terem sido postulados por Gregor Mendel, no século XIX.

Os locais onde os genes estão presentes nos cromossomos são os lócus gênicos e como os cromossomos estão aos pares (cromossomos homólogos ), em cada cromossomo existe uma cópia do gene em questão assim, esses genes que ocupam o mesmo lócus gênico em cromossomos homólogos são denominados de genes alelos (Figura 1). As informações presentes nestes genes podem ser expressas com intensidade diferente e, portanto, um alelo pode estar sendo expresso mais que o outro. Desta forma, os alelos podem apresentar-se na forma dominante e/ou recessiva.

Como por exemplo, um determinado gene considerado A, pode aparecer nos dois lócus na forma dominante AA (homozigoto dominante), em um lócus dominante e no outro recessivo Aa (heterozigoto) ou nos dois lócus como recessivo aa (homozigoto recessivo). A expressão do gene dominante impede em muitas circunstâncias a expressão do gene recessivo, mas isso não é regra geral. Durante a evolução podem ocorrer alterações permanentes no DNA (mutações), acarretando uma mudança na forma alélica do gene, isto é, um gene dominante passando a ser recessivo ou vice-versa.

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As mutações podem levar à perda de função de um gene ou a uma nova função e, como conseqüência, levar à formação de uma proteína variante, passível de ter propriedades distintas em conseqüência de sua estrutura alterada. Contrário ao que muitas pessoas pensam, as mutações nem sempre alteram negativamente a informação genética (gene). Elas podem ser do tipo benéficas, neutras ou deletérias. No caso da cor da pelagem em Schnauzer, o aparecimento da cor branca pode ter ocorrido por uma mutação do tipo benéfica gerando o gene recessivo e o que posteriormente gerou uma cor diferente na raça.

Por outro lado, as doenças que podem aparecer na raça como problemas renais, de visão entre outros, podem ser resultados de mutações deletérias, as chamadas mutações que causam doenças e o próprio câncer. Portanto, alguns cruzamentos podem gerar o aparecimento de características indesejáveis e que normalmente são definidas pelo genótipo homozigoto recessivo. Quando buscamos uma característica genética importante ao fazermos o cruzamento entre parentes próximos temos que tomar muito cuidado porque aumenta a chance de estarmos com dois heterozigotos e, portanto, geramos um homozigoto recessivo que apresente uma característica deletéria significativa, imediata ou ao longo da vida do animal.

Há quatro formas comuns de entrecruzamento: Inbreeding, cruzamento entre parentes muito próximos como pais e filhos, irmãos etc; Line Breeding, cruzamento entre cães com muitos ancestrais comuns como avos com netos, tios com sobrinhos etc; Outcrossing, cruzamento entre cães que são produtos de um line breeding, mas de duas linhas de sangue diferentes e Outbreeding, cruzamento entre cães sem relação de parentesco.

Em cães, há propostas da existência de 12 genes envolvidos na cor, A, B, C, D, E, G, M, R, S, T e K. Nem todos esses genes estão presentes nas diferentes raças de cães. No Schnauzer miniatura o gene D responsável pela diluição dos dois tipos básicos de melanina em mamíferos, Eumelanina e Feomelanina, está comprovadamente ausente. Por outro lado, estudos desenvolvidos pelo laboratório de genética HealthGene do Canadá, demonstram que apenas dois alelos são os que estão diretamente relacionados a cor da pelagem em Schnauzer, os genes K e E. O gene E apresenta uma interação direta dom o gene K na forma de Epistasia, ou seja, neste caso o gene E inibe (gene epistático) a ação dos alelos do gene K (gene hipostático), porém somente quando está em dose dupla e recessivo, o que é denominado então de epistasia recessiva. Assim, quando os alelos do gene E estão na forma homozigota dominante EE ou heterozigota Ee não ocorre inibição da ação do gene K, ou seja, nestes casos não há epistasia.
Considerando a hipótese de uma herança baseada na presença de apenas dois genes K e E e a ocorrência de epistasia, teremos os seguintes genótipos e fenótipos:

TABELA 1- Genótipos para cor da pelagem em Schnauzer miniatura

Podemos observar que, de acordo com a Tabela 1, as cores Sal e Pimenta e Preto e prata possuem o mesmo genótipo. Neste caso, deve existir algum outro gene que esteja relacionado ao grau e distribuição de pigmentação destas duas variedades que ainda não se descobriu.
O cruzamento entre cães de diferentes genótipos poderão resultar em diversos fenótipos, como exemplo, o cruzamento de um padreador e matriz com o genótipo KK EE só poderão gerar uma prole com o genótipo KK EE. Na tabela 2 pode ser observado outros resultados de cruzamentos.

No segundo caso, Kk EE os gametas tanto do padreador quanto da matriz poderão apresentar duas combinações diferentes: KE e kE. Como os alelos estão em cromossomos diferentes, ocorrerá na formação dos espermatozóides e dos ovócitos a segregação independente durante a meiose. Assim, os dois alelos serão separados indo um para cada célula e ao final os gametas (espermatozóides e ovócitos) carregarão uma cópia do gene K ou k e E (Figura 1).

Figura 1- Meiose com segregação independente e possíveis fenótipos e genótipos da prole.

Ao ocorrer fecundação do gameta feminino pelo masculino, o embrião apresentará o genótipo para cor da pelagem com 75% de chance de ser preta e 25% de ser sal e pimenta ou preto e prata (Fig.2)

Figura 2- Quadrado de Punnett com os cruzamentos possíveis e a probabilidade de diferentes genótipos e fenótipos da prole.

Tabela 2 – Possíveis fenótipos a partir do cruzamento entre diferentes genótipos.